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Contém Spoiler #06 - Pânico 7

Novo capítulo de franquia clássica aposta em legado e tensão psicológica

Quase três décadas depois de redefinir o terror adolescente nos anos 90, a saga iniciada por Pânico chega ao seu sétimo capítulo tentando equilibrar tradição e reinvenção. Pânico 7 estreia nos cinemas brasileiros apostando menos na simples repetição da fórmula e mais no peso emocional acumulado ao longo da franquia.

Com direção de Kevin Williamson — criador do roteiro original da série — o novo filme assume de vez o discurso sobre herança e consequências. O terror aqui não nasce apenas da perseguição física, mas do desgaste psicológico de personagens que sobreviveram a massacres anteriores e carregam traumas que nunca foram totalmente resolvidos.

O retorno de Neve Campbell reforça esse aspecto. Sua personagem não é mais apenas a “final girl” que reage ao perigo, mas alguém que convive com a memória constante da violência. O roteiro constrói tensão a partir dessa consciência: o passado não é referência nostálgica, é ferida aberta.

Ao mesmo tempo, o longa amplia o olhar para uma nova geração. Jovens que cresceram ouvindo falar dos crimes de Woodsboro agora enfrentam uma ameaça que dialoga com fama, exposição e a transformação da violência em espetáculo midiático. A máscara de Ghostface deixa de ser apenas símbolo de um assassino e passa a representar uma ideia — algo que pode ser apropriado, reinterpretado e replicado.

Visualmente, o filme aposta em cenas mais claustrofóbicas e em sequências que privilegiam o silêncio antes do ataque, criando um clima menos frenético e mais calculado. Há menos pressa e mais construção de atmosfera, o que pode dividir o público acostumado ao ritmo acelerado dos capítulos anteriores.

A grande pergunta que ronda esta estreia é se ainda há fôlego para a franquia. A resposta parece estar menos na contagem de corpos e mais na capacidade de atualizar seus temas. Se o primeiro filme falava sobre regras do terror, este sétimo capítulo discute as consequências de viver sob essas regras por tanto tempo.

O resultado é um terror que olha para trás sem ficar preso ao passado — e que tenta provar que, mesmo depois de tantos filmes, ainda é possível encontrar novas formas de sustentar o suspense.

Pânico 7 já está em cartaz nos cinemas de todo o Brasil.

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